Não sou/ não pertenço

Valores sempre defendidos na sua casa: A simplicidade, a concisão, a sensibilidade, a sinceridade, e talvez ( no fundo de um quarto de despejo onde nunca estive) o amor. Eram coisas vazias e simples, tal como vidro azul numa alta janela circular. Eu ali dentro tentava ser o sol atravessando o vidro azul, mas eu era terra. Vocês moravam em silêncio, eu ocupava olhando cada cômodo por poucas horas. De vez em quando, conseguia quebrar alguma coisa. Não era minha culpa, existia para isso uma lei ainda aplicada: Sempre que se esgarça a razão, há um apelo. Eu suplico por alguma coisa que esteve antes e há de estar de novo (o passado é uma profecia), pois tudo aquilo que se encontra em estado bruto, tudo aquilo que ainda não foi lapidado, está mais perto do solo, e é de difícil obtenção.

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